O Vereador Osmar Ricardo (PT) apresentou na Câmara Municipal do Recife projeto de lei número
80/2014 que propõe a disponibilização de vagas nas escolas públicas e
particulares do Recife para jovens com autismo. A proposta determina que os
estabelecimentos de ensino disponham, no mínimo, duas vagas para crianças e
adolescentes autistas. As unidades educacionais também vão ter que manter nos
murais das salas de aula, e em áreas comuns, materiais informativos sobre os
sintomas desse transtorno de desenvolvimento.
Osmar
Ricardo
acredita que o preconceito ainda é grande por parte das escolas, mesmo já
existindo uma lei federal que determina que toda escola deve aceitar crianças
com necessidades especiais. Segundo ele, o que acontece é uma discriminação
velada, a partir do momento que as unidades alegam não ter vaga para matrícula
de novos alunos quando percebem que a criança é autista.
“Com
esta lei que estou propondo é esperado que o preconceito seja superado, como
uma tentativa para fazer as escolas se adequarem para alunos com necessidades
especiais. O autista tem problemas com a sociedade e a convivência. Ao
colocá-lo em contato com outros alunos, é possível ajudá-lo a viver em
sociedade. Não adianta mantê-lo em uma bolha”, diz.
De acordo com especialistas, os sintomas geralmente aparecem nos primeiros meses de vida, mas os sinais podem não ser identificados nessa fase, aparecendo na maioria dos casos antes da criança completar três anos de idade. O autismo é marcado por três características principais: inabilidade para interagir socialmente; dificuldade no domínio da linguagem e padrão de comportamento restritivo e repetitivo. A tendência atual é admitir existência de múltiplas causas para o autismo, entre eles, fatores genéticos e biológicos.
A proposta pretende criar
também um canal de relacionamento na Secretaria de Educação para reclamações de
pais e familiares de jovens com Transtorno do Espectro do Autista, que tiverem
a matrícula recusada pela rede pública e privada de educação. Para Osmar Ricardo, há um despreparo dos
professores não apenas no que diz respeito aos jovens especiais, mas também com
crianças que têm limitações e dificuldades de aprendizado na sala de aula,
mesmo ela não tendo, necessariamente, nenhum tipo de necessidade especial.
“É
necessário ações voltadas à capacitação do professor e a mudança da escola. Os
docentes deveriam ser treinados para oferecer uma educação inclusiva plena, com
o apoio de um devido mediador para acompanhar as crianças em sala de aula.
Devem-se rever as políticas atuais de modo a garantir aos educadores os
conhecimentos, o tempo e a formação necessária para que os alunos não só sejam
matriculados, mas também tenham garantido seus direitos de aprender”.


Nenhum comentário:
Postar um comentário